sexta-feira, 24 de outubro de 2014

Quero o amar dos poetas

Quero o amor de Florbela,
Aparecido, escancarado, 
sem pudor, desavergonhado
Aberto, claro
independente de qualquer correspondência

"Eu quero amar, amar perdidamente!
Amar só por amar. Aqui... Além..." ¹

De Vinícius quero o amor sem fim
Os sonetos malandros
Os sentimentos desmedidos
Sinceros e múltiplos

"Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto" ²

Preciso do amor de Cecília
Com rimas apuradas
Estrofes bem traçadas
E calculadas

Amor de quem morre de amor
Está feliz de morrer e não sente mal nem dor.³

Enfim, quero o amar dos poetas
Visceral, apaixonado 
que se revela em palavras
Sem nenhum freio.

Porque na correria da vida
Na pressa de nossa jornada
O sentimento fica adormecido,
escondido, apagado,
censurado pelo pensamento alheio.

E trabalhar com amor
Estudar com amor
Viver o amor
torna-se raro
cada vez mais caro
Abafado
Desprezado
E por vezes impossível.

(Grazielle Santos SIlva)

¹ Versos da Poesia "Amar!" de Florbela Espanca
² Versos de "Soneto de Fidelidade" de Vinícius de Morais
³ Referência aos versos de "Ninguém me venha dar vida" de Cecília Meireles

segunda-feira, 6 de outubro de 2014

Alguém viu um foco por aí?

A resposta-chave para tudo hoje em dia está no foco. “Em sua carreira, você precisa achar um foco.” “Insucesso em relacionamentos? É preciso definir seu foco.” “Se está com dificuldade em administrar seu dinheiro é porque não descobriu o seu foco. Assim que o descobrir saberá como gerenciá-lo com eficácia.” Falam tanto do bendito que encontrá-lo parece ser a coisa mais simples do mundo. No entanto não há ponto de venda, de aluguel ou de empréstimo! Foco não nasce em pé e nem está disponível em qualquer esquina. Conseguí-lo é um trabalho árduo de autoconhecimento, estudo, planejamento e projeção. Estou procurando o meu há um tempo. Ele deixa rastros, pistas, vestígios, mas ainda não o encontrei de fato. Se alguém o vir por aí, favor endereçá-lo a mim.

(Grazielle Santos Silva)

*Poster do filme "Uma Mente Brilhante".

segunda-feira, 21 de abril de 2014

De repente 30

De repente percebi que falta menos de um mês pro meu aniversário. E imaginava minha chegada aos 30 com outra cara. Me imaginava mais segura em alguns 'departamentos', lidando com alguns assuntos com mais firmeza, repleta de certezas e impondo minhas vontades com mais destreza. Achei que minhas inseguranças seriam outras... mínimas. Me imaginava mãe a essa altura (porque minha mãe, na minha idade, já era mãe de três e porque tem um tal relógio biológico que de vez em quando apita ao meu ouvido). Pensava que nessa idade já teria conquistado meio mundo - e daqui pra frente bastaria conquistar a outra metade.

No entanto, o caminho que tracei me trouxe a outro ponto bem diferente. Não é ruim. Não posso reclamar. A busca pelas certezas tem me levado a novas experiências e a novos sabores que nem sonhei experimentar. Consegui forças para vencer vários obstáculos. Já moro sozinha e voltei a dançar (e estou esforçando para não parar novamente). Tenho trabalhado um bocado e estudo com afinco para saber por onde trilhar minha carreira.

Mas sou dessas que tem alguns sonhos e desejos conservadores. Hoje em dia mulher independente é aconselhada a sonhar com nada à moda antiga, já que é considerado bobagem, quase um sacrilégio aos tempos modernos. Acho que o peso da idade cai bem em cima daqueles sonhos que você percebe se distanciando a sua frente, se estendendo mais longe do que gostaria. Confesso que quando penso nisso sinto um pouco triste. 

Só que tristeza não guia a vida e se alguns aspectos ainda estão meio confusos, outros estão bem encaminhados e neles me apoio para seguir em frente. Passo a passo. Controlando a ansiedade. Até conquistar tudo ao meu alcance.

(Grazielle Santos Silva)

domingo, 5 de janeiro de 2014

Não foi dessa vez.

Já me via ali. Dona de minha própria rotina, senhora do meu espaço e me deparando com novos desafios (ainda maiores dos que me encaram hoje). Pareceu tão bom... Curtir a dor e a delícia de ser quem eu sou. Conviver comigo mesma sem interrupções. Acho que todo mundo merece, ainda que por um breve momento, ter seu mundo próprio, comprometido consigo mesmo, sem intervenções externas, sem dever nada a ninguém, sem rabo preso - como diz meu pai. Daí vi também as dificuldades, as contas enormes, o próprio processo de conseguir o meu cantinho - num curto espaço de tempo -, a interferência desse processo na vida dos outros... Aí deu um desânimo. Um sentimento ruim. E aí a oportunidade escorreu pelos meus dedos. Sempre fico mal quando deixo uma oportunidade passar assim sem lutar por ela, mas tenho que aprender que tudo tem seu tempo e no fim das contas não era pra ser. É... não foi dessa vez.

(Grazielle Santos Silva)

quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Difícil explicar

Difícil explicar quando dói lá dentro. 
Quando é dor de decepção e desilusão consigo mesmo 
por não poder resolver os problemas sozinho, 
por deixar os problemas crescerem e refletirem em si mesmo, 
por perder o controle da situação.

Difícil quando é com a gente a insatisfação
porque só nós mesmos podemos mudar o rumo de nossas vidas. 

Às vezes compartilhar tudo isso é bem complicado
complicado explicar o que se está sentindo
Faltam palavras
.
Sobram dúvidas, incertezas e inseguranças.
 
E quando a gente tenta se expressar 
e não se faz entendido.
parece criança mimada reclamando 
porque não foi atendido.

Difícil rimar quando dói lá dentro
Mas externar o que incomoda é preciso.

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