sexta-feira, 20 de março de 2015

Assim nasce...

Assim nasce uma paixão...
Cruzam-se os olhos,
as mãos,
os lábios,
e de repente
corações acelerados,
completamente descompassados,
e fôlegos perdidos.

Assim nasce uma relação...
Entre os beijos,
abraços
e olhares
surge a curiosidade
de saber,
entender
e se entender no outro.

E aí o outro
torna-se descoberta constante,
intrigante
e cada vez mais importante.

Assim nasce o amor...
Mãos dadas,
caras lavadas,
e almas reveladas sem censura,
belezas e feiuras,
fortalezas e fraquezas.

Assim nasce a união...
Quando, da relação cheia de amor e paixão,
cresce a vontade de seguir na mesma direção,
ajustando o norte,
curtindo os pontos altos,
superando os baixos,
E os corações sempre abertos
A respeitar o outro
e a si próprio,
Cedendo
e reconhecendo as cessões do par,
Sem guardar mágoas,
Livre de amarras,
Repleto de laços,
Em busca constante da harmonia a dois.

(Grazielle Santos Silva)

domingo, 15 de março de 2015

Sua voz

poster a primeira vistaÉ a sua voz que me domina. Seus olhos verdes são só um charme e, como qualquer charme, existe um em cada esquina. Mas sua voz não. Ela me acalma. Porque parece saber as palavras certas a serem ditas. Não sei se as frases que ela me fala são mesmo verdade. Às vezes até penso que tenho que ter muita cautela ao acreditar nelas. No entanto, quando sua voz anda assim, mais calada, meu coração sente uma falta... Não entendo bem esse poder. Talvez seja melhor não entender. E enquanto isso tudo me estiver me fazendo bem, fico aqui aguardando só para ouvir novamente a sua voz.
(Grazielle Santos Silva)

* Pôster do filme "At first sight"

quinta-feira, 5 de março de 2015

Um bichinho chamado paixão

poster do filme Onde se escondem os monstros
(Texto que escrevi há um tempo e foi publicado no Caderno do Estudante da UFS)

Vocês já tiveram um bichinho de estimação? Pois eu tenho. Ele se chama Paixão. E Paixão não é cachorro, nem gato, nem papagaio, nem iguana. Paixão é... Paixão. Eu gosto muito dele. Tanto que nem sei contar. Não foi presente de meu pai, de minha mãe ou de minha tia. Ele que veio sozinho morar comigo. E ninguém reclamou porque ele não late, não mia, não cacareja, não incomoda ninguém. Só a mim. Sabe por quê? Porque ele mora aqui dentro: no meu peito.

Antigamente, Paixão só vinha de vez em quando. Tão raramente que eu pensei ser miragem. – Ah! Paixão? – eu dizia – Paixão é coisa de gente boba. Igual a bicho papão e monstro do armário. É fruto de imaginação. É só a gente crescer que ele some. Mas à medida que fui crescendo ele foi ficando mais tempo, mais tempo, até que se instalou de vez. Está comigo até hoje. Veio morar dentro de mim depois que fiquei grande por causa do espaço (Também, quem gosta de viver apertadinho, não é?).

No começo eu não gostava dele. Sempre o achei meio folgado, espaçoso e enxerido. – Oras, mas que bicho mais chato, – eu reclamava – é só ele aparecer que eu fico sem graça, sem jeito, acanhada. Nem consigo mais ser eu mesma. Minha mão transpira, minha voz falha. E eu fico sem saber pra onde olhar. Imagina que outro dia fui falar com um amigo e Paixão apareceu. Dito e feito! Eu não conseguia mais falar uma palavra. Gaguejei mais que tudo. Ah! Paixão você me paga!

Eu ficava muito brava quando ele aparecia. Mas estamos juntos há tanto tempo que me acostumei. Paixão agora já faz parte de mim. Eu nem ligo mais pra bagunça que ele faz. E olha que ele faz muita bagunça! Pensem num bicho danado! É difícil ele ficar parado. Às vezes ele começa pular no peito e outras vezes ele dá um nó na minha garganta e ainda tem vezes que ele parece borboleta no meu estômago. Isso me dá uma canseira! É tanto mexe e remexe, tanto pula que pula, tanta bagunça que eu fico incomodada. Dá até dor de cabeça, sabia?

De vez em quando ele fica quietinho. Mas é bem de vez em quando mesmo. Ele se cansa e tira um cochilo. Neste momento eu aproveito e fico quietinha que é pra ele não acordar. Mas sabe o que acontece? Eu já estou tão acostumada com tanto reboliço que quando ele adormece por muito tempo, começo a sentir falta e faço tudo pra ele despertar. Grito, choro, esperneio. Aí ele volta, serelepe, saltitante e feliz da vida.

Paixão tornou-se um companheiro inseparável. Acompanha-me no trabalho, em casa, na faculdade, nas minhas mais loucas aventuras. Não faço mais nada sem ele. E quando ele não está comigo tudo fica sem graça, parado, chato... Porque NADA faz sentido sem Paixão.

(Grazielle Santos Silva)

* Pôster do filme "Where the wild things are". Porque sempre imaginei como seria a cara da paixão se pudesse materializá-la.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

E então, fica pra depois!

Que encontro mais difícil é o de nós com nós mesmos. Não nos encontramos verdadeiramente nem mesmo diante do espelho. Porque na maioria das vezes apenas nos olhamos, mas não nos enxergamos.

Para que aconteça esse encontro, faz-se necessário um desligamento do mundo. Uma série de fechar de portas difíceis de serem trancadas. É preciso chegar em casa, após tantas exigências e policiar-se que todos os problemas de trabalho, de escola, de faculdade, de relacionamentos fiquem do lado de fora. No entanto, problema gosta de entrar por uma fresta, uma brecha, uma janela, e rondar a cabeça ainda que estejamos longe dele. E o que mais existe são as tais frestas, brechas e janelas para sermos alcançados por aquele pepino que era para ser resolvido antes do almoço ou por aquela ligação que não foi feita na hora certa ou ainda por aquele sapo que foi engolido, mas não foi digerido.

Ainda que moremos sozinhos, longe de tudo, somos alcançados por distrações que chegam por mensagens de celular, aplicativos ou por um navegar na internet. Ficamos dispersos e não lembramos de nós e dos compromissos que marcamos conosco. Fica para trás o check-up que já deveria ter sido marcado, a atividade física que escolhemos praticar, aquele hobby que nos dá prazer - e nem lembramos mais qual é -, ou o simples parar para pensar em nossos sonhos. Tudo é adiado! Porque a hora voa e já precisamos nos preparar para outro dia. E ainda não deu tempo de por a conversa com nós mesmos em dia. E então, fica pra depois!

(Grazielle Santos Silva)

domingo, 18 de janeiro de 2015

Reclamar

Reclamar: Queixar-se; Protestar; Clamar repetidas vezes por uma situação ou sensação melhor que a atual. São tantas as reclamações que vêm à mente diariamente, semanalmente, mensalmente. Raramente somos inteiramente satisfeitos com o  cenário em que estamos e é essa insatisfação que nos move. No entanto, no final das contas, de toda essa reclamação a parte mais importante mesmo é a AÇÃO! Reclamação sem ação, é palavra jogada ao vento, consternação venenosa que amargura a alma e todos à volta.

Pois que não seja condenada a reclamação, mas que seja seguida de uma ação que permita mudança e concretização da melhoria desejada.

(Grazielle Santos Silva)

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