terça-feira, 14 de abril de 2015

É preciso ouvir...

Ouvir não é tão fácil quanto parece. Não basta ter o orgão do sentido funcionando perfeitamente. Conheço pessoas com déficit de audição que escutam melhor que certos ouvintes. É preciso mais. É preciso ombridade para permitir que o outro exponha suas ideias, discernimento e ponderação para refletir sobre o que foi dito (ou apenas exposto nas entrelinhas) e disposição para, a partir da reflexão, mudar o curso ou permanecer firme na caminhada. Porém, numa época onde todos têm algo a dizer, ouvir é cada vez mais raro. Aí surgem líderes sem sinergia com a equipe, casais que nunca se entendem, familiares em constante conflito e outros tantos problemas que poderiam ser evitados - ou ao menos amenizados - com um gesto simples: escutar o outro. Certamente, se ouvir tornar-se um hábito, decisões e ações serão mais fáceis de serem tomadas e acertadas.


(Grazielle Santos Silva)

*Pôster do filme "Do que as mulheres gostam". É um exemplo, ainda que ficcional, de como agir levando em consideração o que foi ouvido pode interferir positivamente na vida de alguém.

segunda-feira, 13 de abril de 2015

Como preparar um beijo.

Pré-aqueça o momento com olhares, sorrisos leves e uma conversa suave. Deixe a voz diluir até sumir por completo e ouvirem-se apenas suspiros e respirações. Permita que os lábios se descubram a gosto. Eles costumam seguir trajetos diversos até encontrarem um ao outro, então não tenha pressa. Faz-se necessário a um bom beijo, uma pitada de falta de ar. É uma dose pequena mesmo! Só para que os amantes se distanciem por um breve momento e sintam mais falta um do outro do que do ar que se rarefez. Tempere a sua maneira. Carinhos, mimos e mordiscadas são os temperos mais comuns. Deixe esquentar e sirva ainda quente. Não há com não dar certo, mas lembre-se: o segredo dos melhores beijos não está na ordem nem na quantidade dos ingredientes. O importante mesmo é a sintonia e a química entre aqueles que se propõem a prepará-los. Bon appetit.

(Grazielle Santos Silva)

quarta-feira, 8 de abril de 2015

Surpreenda-me

Surpreenda-me!
Porque a vida sem surpresas não tem emoção.
É o inesperado que movimenta as ações e os sentimentos.
É ele que alimenta a paixão
- que nem precisa ser sempre intensa -,
mas não pode morrer nunca.

Sobressalta-me!
Sair do trilho,
perder o fôlego,
admirar-se,
tudo isso é necessário para se refazer novamente com mais força e segurança.

Provoca-me!
Não me deixe acostumar com o previsível porque ele é irmão gêmeo do tédio.

E no fim de tudo, beija-me.
Beijo longo e interminável.
Porque assim estarei pronta para ser surpreendida outra vez.


(Grazielle Santos Silva)

sábado, 4 de abril de 2015

QUE VENHAM OS TRINTA E UNS...

Hand lettering da música Velha e Louca de Mallu Magalhães
por Grazielle Santos Silva do Ideias em Conjunto
Então eu trintei... Morrendo de medo da velhice do corpo, dos limites da idade e atormentada pelo fantasma de todas as projeções que eu mesma fazia para mim com esta idade (e que nem de perto foram realizadas). Trintei com completo pavor de estagnação. E de todos os planos parados ou ainda não elaborados ficarem encalhados até morrerem no esquecimento. Pânico de ter que ser mais ponderada. Porque enfiar os pés pelas mãos, pisar na jaca, é tudo coisa de gente jovem, e eu já ia fazer trinta...

E ao fazer trinta minha alma atingiu o limite da inquietude. Sugiram uma série de porquês, tais quais aqueles que acometem as crianças de 5 anos. “Por que isso tem que ser assim?” “Por que não posso fazer diferente?” “Por que ceder?” “Por que não ceder?” “Por que continuar?” “Por que encerrar?” “Por quê?” “Por quê?”. Com a avalanche de perguntas uma série de respostas, novas visões de vários aspectos de minha vida e um novo impulso de fazer acontecer.

Confesso que nem todos os questionamentos que me rodeiam foram respondidos. Nem todos os medos banidos. Nem todos os problemas resolvidos. Nem todos os planos realizados. Mas, há algo de diferente em mim. 

Mudei porque mudar faz parte e porque só a gente pode mudar a si próprio. No entanto, continuo a mesma em essência: sonhos românticos, desejos novos e antigos emaranhados e planos constantes de conquistá-los um a um com determinação maior ainda do que há anos atrás.

E que venham os trinta e uns.


(Grazielle Santos Silva)

quarta-feira, 1 de abril de 2015

Quando vale a pena seguir...

Só vale a pena seguir se há amor!
Porque amor é alicerce
e sem alicerce nada sustentável se constrói.

E se é amor, há que ser leve,
para que se leve sem pesar.
Porque amor não excede, 
não sufoca 
e nunca é demais.

Se realmente há amor
não é preciso mudar a si mesmo,
porque o amor é autêntico
e nasce da autenticidade, das verdades,
e das peculiaridades de cada um.

E se há mesmo amor
são poucos os conflitos,
porque amor é pacífico,
compreende as diferenças
e supera os obstáculos.

Se há amor 
amor mesmo,
de verdade,
a luta é válida,
necessária 
recompensada.

Ah! Mas se não há amor...
Aí é sentimento raso, pesado, acomodado
e tão frágil que não se sustenta...
E então,
seguir nem vale a pena.

(Grazielle Santos Silva)

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